Nunca
foi segredo para ninguém que eu gosto mesmo é de um bom romance. Adoro um best-seller, um romance de banca,
histórias de amor que acontecem no passado, no presente, em um mundo futurista,
ou – por que não? – em um universo paralelo. Mas isso não significa que eu
dispense todos os outros gêneros literários.
Ao
longo dos meus devaneios vocês
perceberão que nem todo livro que leio são obrigatoriamente romances, no
entanto um gênero específico vem me fazendo torcer o nariz há um bom tempo e,
mesmo com todos os avisos do meu inconsciente, eu lhe dei algumas chances. Falo
das famosas distopias.
Se
procurarmos o significado da palavra na internet, encontraremos coisas do tipo:
“lugar ou estado imaginário em que se
vive em condições de extrema opressão, desespero ou privação;”. E se
decidirmos pegar um desses livros para ler é exatamente essa realidade que
encontraremos.
Não
me incomoda o fato de o país/mundo precisar de uma mocinha (o) para salvar
todos do caos em que vivem. Na verdade o que me marca ao fim desses livros é
que nem sempre o que aconteceu para levar a sociedade àquele nível de opressão
fica claro, e o ponto de reflexão ao qual o livro nos leva é muitas vezes a
questão do “pão e circo”, a velha história de entreter a população para que
ninguém reclame do seu estado miserável.
Não
estou dizendo que a política do pão e circo é algo ultrapassado e que nada
parecido acontece na sociedade atual, o que quero dizer é que esse mundo não me
agrada, e custo a acreditar que, mesmo com todos os avanços tecnológicos e o
acesso à informação, vamos nos tornar ainda mais egoístas e desiguais.
Nas
últimas semanas li dois livros que deixaram ainda mais claro que o universo
distópico de fato não é para mim. As histórias foram muito comentadas e
elogiadas, mas ainda assim fiquei bem decepcionada com ambas.Em Cinder conhecemos uma garota ciborgue (meio-humana, meio-robô) que vive com a madrasta e duas meias-irmãs em uma sociedade que enfrenta uma doença jamais vista antes, que mata os infectados tão rápido quanto a peste negra. Aparentemente é um bom livro, né? E, na verdade, muita gente gosta mesmo. O que me incomoda é a personagem viver em uma sociedade futurista cheia de robôs, aonde a ciência avançou tanto que chegou ao ponto de salvar a vida das pessoas transformando-as em meio-robôs, e viver quase como no medievo.
Já em A Rainha Vermelha somos apresentados a uma sociedade nada igualitária em que os humanos – chamados de Vermelhos – não têm nada de especial, quem habita o topo da pirâmide são os Prateados, seres poderosíssimos com habilidades surreais. Mais uma vez a história parece interessante, mas o desenrolar dela é tão fraco que me deixa triste só de lembrar.
A
autora tenta criar um romance logo no inicio o que até me cativou, mas ele é
logo substituído por um triangulo amoroso nem um pouco convincente. A
protagonista é tão confusa que os parágrafos pareciam não funcionar juntos, e
as descobertas bombásticas são tão jogadas ao vento que muitas vezes só são
citadas em uma linha e depois não são trabalhadas. Para mim, o livro foi uma
sequencia de fatos incoerentes.
A conclusão
a que chego ao me aventurar a ler distopias é que o gênero simplesmente não
prende a minha atenção, nem mesmo quando tem um quê de romance. Eu me disperso
ao longo da história, não consigo mergulhar nesse universo. Talvez eu seja ingênua
o bastante para acreditar que a nossa sociedade não chegará a esse nível de
opressão e desespero.
Publicado
por Beatriz.

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