“– Oi, Ruibarbo.
– Oi, Gomo de Laranja.”
Sabe
aqueles romances doces, com histórias fofas e delicinhas cheias de personagens
bem humorados que ganham seu coração quando você menos espera? Pois bem, Sophie
Kinsella foi a responsável por me apresentar ao universo dos Chick-lits.
Desde
que li “Fiquei com o seu número” tenho a autora como uma das queridinhas da
minha estante e só o nome dela em uma capa já me aguça a vontade de ler. E,
claro, não podia ser diferente com “À Procura de Audrey”, primeiro Young Adult da autora.
Audrey
é uma menina quieta que, depois de passar por episódios traumáticos na escola e
desenvolver alguns transtornos de ansiedade, se esconde atrás de óculos
escuros, pois julga que ao olhar diretamente para os olhos de outra pessoa ela
é capaz de sugar sua alma, e a ultima coisa que ela deseja é que alguém tenha
acesso à alma dela.
O
enredo começa a se desenrolar quando a mãe, viciada no Daily Mail, acredita que
o filho mais velho seja um viciado em jogos de computador, e seu objetivo ao
longo da história é provar a ele que existe vida além dos jogos virtuais. Paralelamente,
Audrey começa a se aproximar do companheiro de jogos do irmão: Linus.
Enquanto
sua família procura deixa-la sempre confortável, nunca forçando os
acontecimentos, buscando entender e aceitar o tempo dela e esperando que Audrey
se reencontre, Linus faz o que pode para provar que ela é capaz de afastar seus
medos quando quiser.
É
com Linus que Audrey começa a sair de sua bolha, começa a dar seus primeiro
passos rumo à melhora, e a aceitar as sugestões de sua terapeuta. Ela deixa de
habitar um cômodo especial da casa, e chega até a frequentar lugares públicos,
onde cumpre os desafios propostos por Linus. Com ele ela percebe que tocar a
mão de outra pessoa não é tão ruim assim, nem abraçar, ou beijar. Mas é graças
a ele também que Audrey acredita que já está curada e faz coisas que ainda não
está preparada para enfrentar.
“... a vida é assim. Estamos todos em um
gráfico de altos e baixos...”.
Para
aqueles que já estão acostumados com a escrita engraçada de Sophie Kinsella, o
bom humor fica por conta da mãe de Audrey, uma mulher decidida, que faz o que
for necessário para provar seu ponto de vista. O pai, um sujeito mais certinho
e centrado, faz de tudo para fugir das maluquices da esposa, enquanto divide o
computador de trabalho com o filho viciado em jogos.
Frank
– o viciado – tenta provar à mãe que não é viciado coisíssima nenhuma, mas,
enquanto não a convence, passa os capítulos burlando sistemas para ter acesso
ao LoC, seu jogo favorito.
Eu
diria que, para quem gosta de YA e nunca leu nada da Sophie, À Procura de
Audrey é um ótimo começo, mas aqueles que já conhecem o trabalho da autora
podem sentir falta dos romances engraçados e gostosos que estão acostumados a
ler (eu senti).
No
geral, o livro é uma boa leitura. Para não dizer que tudo flui muito bem, me
senti incomodada com o fato de a história não deixar claro o que aconteceu com
a Audrey na escola. Foi uma escolha proposital, é claro, mas sofro de
transtorno de curiosidade, e não sei
lidar com questões sem respostas.
Como
fã de Sophie Kinsella que sou, Á Procura de Audrey vai sim para os queridinhos
da estante. Audrey e Linus ficarão do ladinho de Poppy e Sam, aguardando os
meus próximos casais preferidos.



